quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

QUALIDADE DE VIDA E ATENÇÃO

Por volta dos anos de 1970, começou a tomar força slogans que faziam referência à necessidade de considerar a qualidade de vida no cotidiano das pessoas. Em discursos questionadores sobre o valor da materialidade, a questão era saber até que ponto o corpo das pessoas estaria em condições saudáveis para aproveitar o enorme cardápio oferecido pela tecnociência em franco desenvolvimento na época. Mas era um discurso que fazia referência aos países desenvolvidos, com acesso ao consumo de produtos e mercadorias. De qualquer forma, a questão foi levantada. Com a entrada da primeira década do ano 2000, esta proposta começa a ser mais intensamente refletida com a pergunta: de que qualidade de vida estamos falando? o que significa qualidade de vida? haveria diferença entre qualidade de vida e vida com qualidade? quais os valores estariam alimentando este discurso, uma vez que o capitalismo já permeava todas as instâncias da vida contemporanea? Penso que, em meio a todos estes questionamentos, cabe lembrar James Hillman, quando ele nos propõe a reflexão dizendo que: "A melhora da qualidade de vida depende da restauração de uma linguagem que preste atenção às qualidades da vida". Se não ampliarmos nossa percepção a cerca do que significa qualidade de vida, continuaremos aprisionados na visão capitalista que apresenta qualidade de vida como um corpo "sarado", musculoso, torneado nas academias e exalando suplementos vitamínicos em doses cavalares, para que continuemos a girar do roda daquilo que tem preço e não valor, onde a vida se resume a um corpo modelado e formatado pela mídia consumista, o "tanquinho" das novelas e revistas. Portanto, prestar atenção aos discursos, para não ser capturado por fórmulas e formas, que visam apenas o lucro, é ao meu ver de extrema importância, até os dias do agora e sempre.
Abraços ****
Vivi

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