segunda-feira, 21 de maio de 2012

PENSAR E EXISTIR

Pensar é sem dúvida um ato e um exercício. Como ser humano e portador de uma inteligência e racionalidade, o pensar acontece de forma tão automática que pode até se tornar imperceptível, pois o que não nos falta são pensamentos. Mas não é deste pensar automático, distante da presença e vazio da reflexão a que me refiro, mas de um ato pensado do pensar, cujo pensador dispõe do tempo necessário para que a experiência possa fazer sentido ou encontrar um sentido. Sentido não é julgamento ou análise valorativa, mas sentido que tenha significado à existência daquele que pensa. Quando Descartes coloca para o limiar da filosofia moderna, conduzindo o pensamento para um lugar comprometido com a objetividade a quase fórmula – “penso, logo existo”, ele ressalta a lógica como fundamento. Muito anterior à Descartes, Santo Agostinho se debruça em suas reflexões trazendo à luz da consciência – “se me engano, existo!” Talvez seja esta uma certeza irrecusável que se inclui na dúvida existencial em direção à verdade e ao sentido da existência, onde o pensamento é incapaz de ser reduzido à mera objetividade, mas uma existência que vive uma atividade em exercício presencial no ato de pensar, de querer e amar. Uma presença plena e inseparável de suas dúvidas. Uma existência que intui o si mesmo, implicado no próprio ato e experiência do pensar. Uma dúvida que pode trazer à luz a inexplicável existência, uma dúvida criativa. Um ser que existe e, portanto de consciência e conhecimento, um ser de sensibilidade que inclui o explicável como também e, sobretudo o inexplicável da existência. Uma existência que vive o ponderável e o imponderável de si mesmo. Abraços **** Vivi

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