segunda-feira, 30 de julho de 2012

CONVERSA TERCEIRIZADA


As exigências sociais e com elas a necessidade das famílias despenderem uma quantidade  maior de horas-trabalho, tem alterado a qualidade das relações de convivência. Pais e filhos jovens trabalham e estudam, do amanhecer até altas horas da noite e o período de permanência em casa fica reduzido a poucas horas, que ainda requerem o cumprimento mínimo das tarefas domésticas. Onde fica a convivência, o contato, o tempo de ouvir e contar histórias pessoais, de orientar, de compartilhar alegrias e tristezas, afetos e desafetos...? A convivência perdeu seu espaço e esta tem sido a triste realidade de nossas famílias. Se não há mais tempo para conviver, para conversar, o que sobra é terceirizar. Assim como no mundo corporativo, acontece em grande parte das famílias que acabam tendo que contratar pessoas, nem sempre especialistas, para conversar e orientar nossos filhos, casais, homens e mulheres, que não encontram espaço, nem tempo para o encontro. Tempo disponível para ouvir e ser ouvido, para dialogar, trocar ideias, já não há mais tempo para o tempo do encontro. São babás, psicólogos, psicopedagogos, massagistas, cozinheiros, bufes, motoristas,  uma variedade de profissionais com técnicas e ferramentas, mas desprovidos de vínculo. Profissionais da moda, apresentados pelo mercado, que são substituídos conforme o preço e a novidade com que apresentam seus recursos, estimulados por uma mídia, que ilude mais do que soluciona. Fato é que, sem tempo para conviver, as famílias são capturadas pela frieza glacial do mercado  cuja intenção é vender seus produtos e sobreviver nesta ciranda de desarmonia. Através de uma roupagem de modernidade, as pessoas se deixam ser levadas por esta onda de terceirização sem nenhum questionamento deste modelo, que mais distancia do que aproxima as pessoas nas suas relações de convivência.  Sabemos que é o vínculo que aquece e nutri as relações nos encontros, mas para isto é preciso de tempo e presença. É no prazer do estar junto que os elos de amizade, de carinho, de amorosidade, de gratidão, de reconhecimento se estabelecem entre as pessoas. Abdicar destes espaços é abdicar da própria vida, é se deixar ser máquinas a serviço de interesses capitalistas, é se desumanizar. Uma boa conversa vale mais que muitas horas contratadas.
Abraços    ****
Vivi

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