quarta-feira, 12 de setembro de 2012

PROBLEMATIZAR


Por timidez, comodismo ou desconforto, a dificuldade de questionar, perguntar, refletir, problematizar, é um fato e um obstáculo para a ampliação do conhecimento e da percepção do mundo. Contextualizar para entender, é quase uma necessidade neste momento onde a complexidade da modernidade com sua velocidade desenfreada, exige de todos nós um olhar mais abrangente para poder compreender os acontecimentos. Estamos em rede, vivemos e convivemos na rede relacional e nesta fantástica tessitura, onde a diversidade dos fios se interconectam, a compreensão dos processos das tramas que se criam pede um olhar mais criativo disponibilizando espaços de circulação. Criar e inventar possibilidades conectivas acontece na medida em que as perguntas são elaboradas. Questionar é preciso. Quem sabe, muitos dos desacertos do cotidiano  ocorram em parte pela não evidência dos “problemas”. Para inventar é preciso problematizar. Sem saber o que acontece, se não somos capazes de  ver os problemas e obstáculos, não há espaço para o pensamento se articular e portanto não pode haver respostas criativas apenas respostas obedientes, automatizadas e condicionantes. Aqui encalhamos, somos capturados pelo círculo vicioso repetindo cegamente os mesmos modelos controladores. A capacidade e a disponibilidade para problematizar e ver em perspectiva, alimenta a reflexão e com ela a compreensão.  Virgínia Kastrup  então pergunta: “se não há produção de problema, como pode haver invenção?” Se ainda tememos perguntar, como saber das coisas? Se por comodismo ou conformismo, nem sequer perguntamos a nós mesmos o que acontece, como fazer escolhas mais assertivas e agregadoras? Sem perguntas, não há problemas e sem problemas o que resta é repetição de modelos saturados. Então, o que queremos para nós mesmos? Que mundo queremos e almejamos para os nossos filhos? Até quando vamos persistir e insistir na ignorância de não querer saber e conhecer? Até quando vamos nos iludir que o mundo é um conto de fadas provido pelo consumo e que a sombra jamais existiu?
Abraços ****
Vivi

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