segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CABER DENTRO SI

Sob um olhar superficial, parece estranho considerar a possibilidade ou até a impossibilidade de um caber dentro de si mesmo, um caber dentro da sua própria pele. Todos nós, pessoas que somos, possuímos um dentro e um fora do corpo. Um corpo que se relaciona com os ambientes externos, recebendo e respondendo a eles e também um corpo vivo que age e interage com espaços funcionais internos, fisiológicos, comportamentais, recebendo informações e respondendo às informações. O corpo vivo, do humano vivo, troca, pulsa, expande e recolhe,conecta-se, adapta-se na dinâmica da sua funcionalidade em função da sua história pessoal, constitucional, genética, cultural. Estar nesta estrutura relacional nos encontros, nos ambientes, na funcionalidade, nas mudanças, é habitar-se. É se apropriar de um lugar dentro de si mesmo para existir e não possuir um corpo, uma forma somática para se esconder de si e do mundo. Ser sujeito de si mesmo, é poder fazer escolhas e se manejar diante dos excessivos e dos assimiláveis, fazendo presença e se desenvolvendo na forma. O capitalismo, as forças esquizóides que puxam para o isolamento, as pressões culturais que capturam o corpo e as formas somáticas, impedindo a pessoa humana de habitar-se, deixa a sensação de não poder caber dentro de sua pele. Pela impossibilidade de suportar as forças dos ambientes e o jogo de pressões aprisionantes do condicionamento, a pessoa fica impedida de reconhecer a si mesma. Sem a presença, fica impossível fazer regulagens. Problematizar pode ser uma das portas de saída. Fazer perguntas ao corpo, se disponibilizar a ouvir as respostas do mais real de si mesmo, já é um bom caminho para transformar, formar no trans, nas passagens, através dos canais vivos da forma. Porém, este não pode ser um caminho ortopédico, de uma anatomia estática, que mede e mensura, mas um convite vivo ao vivo, no sentido de que a pessoa pode ser plena de si mesma, dentro da sua pele existencial.
Abraços ****
Vivi

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